No Colégio Batista Mineiro, em Belo Horizonte, a partir do 4º ano do ensino fundamental o tema educação financeira é trabalhado com os alunos. Nesta entrevista, a coordenadora pedagógica Fernanda Maciel Soares diz que é possível ensinar as crianças a controlar o dinheiro e fazer planejamentos para realizar sonhos
Por que é importante a educação financeira na escola?
No Colégio Batista Mineiro, o tema educação financeira é trabalhado com os alunos que participam do projeto Criança Cidadã, desenvolvido com as turmas a partir do 4º ano do ensino fundamental. O objetivo é refletir sobre questões práticas e desenvolver nos alunos uma percepção crítica da realidade, o que favorece a construção da cidadania.
Acreditamos que isso contribui para uma melhor qualidade de vida. Alcançar o equilíbrio e a independência financeira fará com que tenhamos um país melhor, mais desenvolvido e economicamente estável. E isso pode ser ensinado desde cedo, na escola.
Como foi desenvolvido o trabalho sobre educação financeira com os alunos de 9 e 10 anos?
Iniciamos o trabalho construindo com as crianças alguns conceitos, como: consumidor, consumo, consumismo, supérfluo, necessário, além de outros. Nosso material de apoio consiste em dois livros: “O menino do dinheiro” (Reinaldo Domingos, editora Gente) e “No mundo do Consumo” (Edson Gabriel Garcia, editora FTD).
Na oficina de leitura, iniciamos a história do livro “O menino do dinheiro”. O personagem principal é um garotinho que desde muito pequeno sabia o que queria, e aprendeu a real importância de guardar moedas para realizar seus sonhos. No seu aniversário, ele recebeu da mãe um cofrinho e, com ele, a primeira lição sobre como lidar com a pequena mesada. Mas é na escola, com o professor, que o menino conhece uma metodologia que o faz transformar a vida financeira de sua família.
Aproveitamos a história para trabalhar com a seguinte metodologia:
a) Aprender a controlar o dinheiro;
b) Aprender a sonhar;
c) Aprender a orçar, pesquisando preços melhores;
d) Aprender a planejar.
Apresentamos para as turmas o Código de Defesa do Consumidor. Em Matemática, situações-problema e cálculos matemáticos, envolvendo consumo, fazem parte de algumas aulas. Relacionamos o tema ao meio ambiente, enfatizando a necessidade de um consumo consciente para a preservação do Planeta.
Como as famílias dos alunos podem participar do projeto?
Com as famílias, realizamos as seguintes intervenções:
a) Através do projeto Escola de Pais, enviamos textos sobre o assunto abrindo espaço para o diálogo. A família avalia e dá sugestões sobre o material produzido.
b) Promovemos uma palestra sobre o tema com um profissional que é especialista em finanças pessoais.
c) Sugerimos algumas atividades para serem feitas em casa. Uma delas é a produção do cartaz em família com dois títulos: “O que é necessário” e “O que é supérfluo para nossa família”. Isso faz com que as pessoas pensem antes de gastar.
O que você diria ao professor que deseja desenvolver um projeto sobre educação financeira?
Em primeiro lugar, o professor deve conscientizar-se de sua grande responsabilidade para a formação integral dos alunos. Para ser professor, é preciso ser sonhador. Diante de tantas transformações sociais e tecnológicas, exercer a profissão de articular os conhecimentos com o dia a dia das crianças é um grande desafio. É preciso que o professor esteja disposto a investir nesse trabalho.
Outro aspecto importante é valorizar as relações aluno-família-escola. A educação financeira é um tema que pode possibilitar a articulação do conteúdo com o dia a dia dos alunos. O professor pode fazer isso ousando, criando e abraçando novas ideias.
É também importante fazer o trabalho de forma interdisciplinar, dentro do planejamento a ser desenvolvido durante o ano.