É
hora de pegar os instrumentos de percussão que talvez estejam silenciados por
algum tempo e fazê-los ressoar acompanhados de muita garra e energia. Esse é o
espírito do carnaval!
“Escola
de samba.” De onde vem o termo? Ao que parece foi criação do compositor Ismael
Silva. Conversando com amigos, também músicos, em frente a uma escola normal,
ele falava sobre os problemas que enfrentava na vida profissional. Passou então a comparar as atividades realizadas nas escolas
com as que eles, compositores de samba, desempenhavam. Não deu outra.
Intitulou-os “mestres do samba” e adotou o termo “escola de samba” para designar o grupo carnavalesco que acabara de
criar, o “Deixa Falar”. Isso aconteceu em fins da década de 20.
Bom. E
as nossas escolas, como têm vivenciado esta manifestação de cultura popular?
Algumas nem tomam conhecimento. Outras estimulam os alunos a fazer pesquisas. Existem também aquelas que, mais sintonizadas
com o que se passa fora dos seus muros, organizam bailes carnavalescos com
direito a fantasia.
Seja
como for, o carnaval é um bom período para desenvolver atividades musicais
interessantes nas escolas. Basta ter algum conhecimento musical e criar um
pequeno grupo com alunos curiosos e interessados. Se alguns já tiverem
experiência ou facilidade para tocar, ótimo. Podemos pesquisar a nossa cultura
musical e adquirir ou confeccionar instrumentos de percussão, tudo com muita
criatividade. Mãos à obra!
Nas
nossas escolas podem ser usados instrumentos de percussão tradicionais. Mas, a
exemplo das escolas de samba inovadoras, vários outros instrumentos de
percussão podem ser utilizados, de maneira mais livre e criadora. Podem-se usar
congas, atabaques, alfaias, xequerê, repique, timba, caxixi, efeitos variados,
além de uma infinidade de objetos e materiais – por exemplo, frigideira, prato,
canos, latas, enfim, qualquer coisa que produza um som bacana, agradável e que
dê vazão à criatividade musical.
É
preciso ter o cuidado e o bom senso de evitar excessiva intensidade sonora.
Grupos de percussão grandes demais, com muitos instrumentos, devem ser
evitados. Há alguns anos, esse fator muitas vezes não era considerado. Hoje,
com os conhecimentos adquiridos e os cuidados com o ambiente sonoro que nos
cerca, requer-se cautela. Muitas vezes, é bom escutarmos grupos imensos, que
nos abalam com o seu poder sonoro. Mas isso ocorre em eventos culturais
específicos. Quem participa dos grupos ou bandas e tem que freqüentar os
ensaios deve ter atenção com relação a isso.
O apoio
e o interesse dos gestores, professores, alunos, pais e da comunidade são
fundamentais. Por quê? Trata-se de cultura. E isso é um tema importante. Tem a
ver com a nossa vida, crenças, lazer, bem-estar e alegria, muita alegria, como
em geral são as nossas manifestações populares. Viva o carnaval!
Instrumentos
de percussão
Surdo de primeira: É o mais grave. Faz a primeira
batida e a marcação.
Surdo de segunda: É menos grave. Faz a segunda
batida, a resposta e também a marcação.
Surdo de terceira: É chamado cortador. Sua
batida, menos grave, se coloca entre os dois surdos de marcação.
Caixa ou tarol: Tem som intenso. É tocada de
forma quase contínua, preenchendo as batidas dos surdos.
Repinique: Tambor estreito, com corpo de
metal e duas peles. Tem som intenso e altura
próxima do agudo. Faz o contratempo.
Tamborim: Corpo de
metal, som característico, agudo. É usado em grande número.
Cuíca: Som característico passeando
entre o grave e o agudo, traz um efeito de leveza para a bateria. Sua pele é de
couro de cabra ou de boi. No centro da pele é presa uma haste de bambu, que
esfregada pelo ritmista com um pano úmido emite som
inconfundível. É usada como instrumento de solo.
Agogô: Instrumento de metal, em forma
de “U” fechado, que contém duas campanas de tamanhos diferentes nas
extremidades. Tem som muito agudo.
Pandeiro: Nas escolas de samba, adota-se
a pele de nylon, que, além de muito resistente, emite um som seco. É usado
pelos passistas.
Ganzá: É formado por dois cilindros de
metal interligados por duas hastes, contendo no seu interior pedaços muito
pequenos de alumínio. Possui um som de preenchimento em relação ao som
produzido pelos surdos, tamborins, caixas etc.
Chocalho: Encontrado em diversos
formatos, todos com a presença das platinelas. Lembra
o som de um ganzá, mas é mais suave.
Reco-reco: Cilindro de metal com uma ou
mais molas que são raspadas pelo ritmista. Em geral é
usado em pequeno número. Existem outras modalidades, de bambu e madeira, mas
essas não são usadas em escolas de samba.
Apito: Usado pelo mestre da bateria
com a função principal de comando.