Olha a bateria aí, gente

Olha a bateria

, gente!

 

O carnaval está chegando. Aqui, as dicas para a batucada na escola

 

 

Rocine Amorim de Oliveira

Professora da Escola Municipal Monteiro Lobato/BH

 


Ilustração de João Lin, do livro "Anabela procura e acha mais do que
procura", Flávia Savary, Ed. Dimensão.
Rocine Amorim de Oliveira

É hora de pegar os instrumentos de percussão que talvez estejam silenciados por algum tempo e fazê-los ressoar acompanhados de muita garra e energia. Esse é o espírito do carnaval!

 

“Escola de samba.” De onde vem o termo? Ao que parece foi criação do compositor Ismael Silva. Conversando com amigos, também músicos, em frente a uma escola normal, ele falava sobre os problemas que enfrentava na vida profissional. Passou então a comparar as atividades realizadas nas escolas com as que eles, compositores de samba, desempenhavam. Não deu outra. Intitulou-os “mestres do samba” e adotou o termo “escola de samba” para designar o grupo carnavalesco que acabara de criar, o “Deixa Falar”. Isso aconteceu em fins da década de 20.

 

Bom. E as nossas escolas, como têm vivenciado esta manifestação de cultura popular? Algumas nem tomam conhecimento. Outras estimulam os alunos a fazer pesquisas.  Existem também aquelas que, mais sintonizadas com o que se passa fora dos seus muros, organizam bailes carnavalescos com direito a fantasia.

 

Seja como for, o carnaval é um bom período para desenvolver atividades musicais interessantes nas escolas. Basta ter algum conhecimento musical e criar um pequeno grupo com alunos curiosos e interessados. Se alguns já tiverem experiência ou facilidade para tocar, ótimo. Podemos pesquisar a nossa cultura musical e adquirir ou confeccionar instrumentos de percussão, tudo com muita criatividade. Mãos à obra!

 

Nas nossas escolas podem ser usados instrumentos de percussão tradicionais. Mas, a exemplo das escolas de samba inovadoras, vários outros instrumentos de percussão podem ser utilizados, de maneira mais livre e criadora. Podem-se usar congas, atabaques, alfaias, xequerê, repique, timba, caxixi, efeitos variados, além de uma infinidade de objetos e materiais – por exemplo, frigideira, prato, canos, latas, enfim, qualquer coisa que produza um som bacana, agradável e que dê vazão à criatividade musical.

 

É preciso ter o cuidado e o bom senso de evitar excessiva intensidade sonora. Grupos de percussão grandes demais, com muitos instrumentos, devem ser evitados. Há alguns anos, esse fator muitas vezes não era considerado. Hoje, com os conhecimentos adquiridos e os cuidados com o ambiente sonoro que nos cerca, requer-se cautela. Muitas vezes, é bom escutarmos grupos imensos, que nos abalam com o seu poder sonoro. Mas isso ocorre em eventos culturais específicos. Quem participa dos grupos ou bandas e tem que freqüentar os ensaios deve ter atenção com relação a isso.

 

O apoio e o interesse dos gestores, professores, alunos, pais e da comunidade são fundamentais. Por quê? Trata-se de cultura. E isso é um tema importante. Tem a ver com a nossa vida, crenças, lazer, bem-estar e alegria, muita alegria, como em geral são as nossas manifestações populares. Viva o carnaval!

 

 

Instrumentos de percussão

 

Surdo de primeira: É o mais grave. Faz a primeira batida e a marcação.

 

Surdo de segunda: É menos grave. Faz a segunda batida, a resposta e também a marcação.

 

Surdo de terceira: É chamado cortador. Sua batida, menos grave, se coloca entre os dois surdos de marcação.

 

Caixa ou tarol: Tem som intenso. É tocada de forma quase contínua, preenchendo as batidas dos surdos.

 

Repinique: Tambor estreito, com corpo de metal e duas peles. Tem som intenso e altura próxima do agudo. Faz o contratempo.

 

Tamborim: Corpo de metal, som característico, agudo. É usado em grande número.

 

Cuíca: Som característico passeando entre o grave e o agudo, traz um efeito de leveza para a bateria. Sua pele é de couro de cabra ou de boi. No centro da pele é presa uma haste de bambu, que esfregada pelo ritmista com um pano úmido emite som inconfundível. É usada como instrumento de solo.

 

Agogô: Instrumento de metal, em forma de “U” fechado, que contém duas campanas de tamanhos diferentes nas extremidades. Tem som muito agudo.

 

Pandeiro: Nas escolas de samba, adota-se a pele de nylon, que, além de muito resistente, emite um som seco. É usado pelos passistas.

 

Ganzá: É formado por dois cilindros de metal interligados por duas hastes, contendo no seu interior pedaços muito pequenos de alumínio. Possui um som de preenchimento em relação ao som produzido pelos surdos, tamborins, caixas etc.

 

Chocalho: Encontrado em diversos formatos, todos com a presença das platinelas. Lembra o som de um ganzá, mas é mais suave.

 

Reco-reco: Cilindro de metal com uma ou mais molas que são raspadas pelo ritmista. Em geral é usado em pequeno número. Existem outras modalidades, de bambu e madeira, mas essas não são usadas em escolas de samba.

 

Apito: Usado pelo mestre da bateria com a função principal de comando.


Cada um em seu lugar

 

Cada um em seu lugar

Os instrumentos como surdos e tambores, de maior peso, podem ficar na última fila, ou em locais estratégicos, dependendo do efeito desejado.

 

As caixas ficam bem posicionadas na penúltima fila. Se existirem duas, é interessante que se posicionem nas extremidades, ou num local central, caso haja apenas uma.

 

Na quarta fila de trás pra frente podem ser posicionados os agogôs. Na terceira fila, os tamborins. Na segunda, ganzás e chocalhos. Na primeira, pandeiros e reco-recos.

 

Congas, atabaques ou outros tambores menores podem ser posicionados nas filas mais à frente e nos locais mais centrais.

 

É sempre bom lembrar que são apenas dicas, para um grupo com cerca de 20 componentes. Na realidade o que vale é o perfil de cada escola de samba: o repertório, os instrumentos escolhidos etc. O som pode ser apenas instrumental ou instrumental/vocal.

 

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