O que era

O que era? O que era?

Com cerca de cinco toneladas e seis metros do focinho ao rabo, ela tinha garras poderosas e vivia em bandos nas terras brasileiras. Extinta após a Era do Gelo, a preguiça-gigante desperta a curiosidade das crianças

 

Mauro A

 

Mauro A. C. Ferreira

Paleontólogo e curador adjunto de paleontologia do Museu de Ciências Naturais da PUC Minas

 

Há milhares de anos, após a última Era do Gelo, viviam em terras brasileiras animais bem maiores do que os que conhecemos hoje. Em nossas matas, campos e cerrados conviviam onças-pintadas, veados, capivaras, tatus gigantes, tigres dente-de-sabre e variedades de bichos-preguiça, além de inúmeras outras espécies.

 

Dentre as preguiças, uma se destacava pelo tamanho descomunal: quase seis metros da ponta do focinho até a ponta do rabo. É por esse motivo que os paleontólogos passaram a chamá-la de preguiça-gigante.

 

Pelos numerosos registros fósseis desse animal, os cientistas concluíram que a preguiça-gigante vivia em grandes bandos e habitava todo o território brasileiro.

 

Além do tamanho, o bicho tinha algumas características singulares. Para andar, apoiava as patas no chão quase que dorsalmente, como fazem hoje as preguiças arborícolas, quando descem ao solo, e também os tamanduás.

As patas tinham garras enormes, tendo a maior cerca de 50 centímetros

As patas tinham garras enormes, tendo a maior cerca de 50 centímetros. Mesmo com armas tão poderosas, a preguiça-gigante era um animal herbívoro. Alimentava-se de folhas, ramos e tubérculos. O desgaste dos dentes durante a alimentação era compensado pelo crescimento contínuo.  Com um detalhe: os dentes não possuíam esmalte.

 

Por meio do estudo dos ossos de membros locomotores da preguiça-gigante é possível avaliar a grande força muscular do animal. Não era presa fácil para nenhum predador – nem mesmo para o maior deles, o impressionante tigre dente-de-sabre, assim chamado porque tinha dois enormes caninos em forma de adaga.

 

Estima-se que uma preguiça-gigante adulta devia pesar algo em torno de cinco toneladas. Imaginem quanto alimento precisava ser consumido diariamente para manter em funcionamento o metabolismo dela!

 

Qualquer variação na fonte de alimento – devido a uma grande seca, a uma variação de temperatura ou mesmo a uma grande enchente – causaria um impacto capaz de levá-la à morte.

 

Tão poderosa e ao mesmo tempo frágil, a preguiça-gigante foi extinta ao fim de um tempo geológico denominado Pleistoceno, por volta de 10 mil anos atrás, na seqüência de efeitos gerados pela última glaciação – a chamada Era do Gelo.

 

 

Você sabia?

Fósseis são registros diretos ou indiretos de vegetais e animais de milhares ou milhões de anos que se preservaram: ossos, impressão de pegadas, fezes e até mesmo pêlos

 

Fósseis são registros diretos ou indiretos de vegetais e animais de milhares ou milhões de anos que se preservaram: ossos, impressão de pegadas, fezes e até mesmo pêlos.

 

O grupo zoológico ao qual pertencem as preguiças, tatus e tamanduás é muito primitivo e tem sua história evolutiva originada na América do Sul

 

O grupo zoológico ao qual pertencem as preguiças, tatus e tamanduás é muito primitivo e tem sua história evolutiva originada na América do Sul.

 


PARA SABER MAIS

Para saber mais

Livro: Tempo presente -Tempo passado, de Castor Cartelle Guerra (Editora
Palco, 1994).

Filme: A era do Gelo

Sites:

http://www.herbario.com.br/atual04/2811prehist.htm


http://pt.wikipedia.org/wiki/Pregui%C3%A7a_gigante

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