Autora
de livros de literatura e didáticos da Editora Dimensão
Você soube da última? Leu
no jornal? Viu pela televisão? Ouviu pelo rádio?
Antes de pensar nas
respostas, pense nas perguntas. Estas evidenciam a supremacia da informação na
atualidade. O que não falta é assunto! Os acontecimentos do mundo globalizado
chegam até os leitores numa velocidade estonteante. Daí a necessidade de
ampliar as possibilidades de leitura, aventurando-se por diferentes linguagens
e suportes.
Proponho, para esta atividade, um passeio pelos
jornais e revistas, à procura de uma arte essencialmente jornalística: a
charge. Podemos, de forma bastante simplificada, conceituar a charge como um
desenho de humor que faz um comentário ou crítica sobre um fato atual. Vale
lembrar que o traço caricatural é básico por conferir humor ao desenho. Então,
ao trabalho!
Você pode planejar a atividade com a
participação da turma, combinando prazos para a pesquisa e seleção de charges,
em revistas e jornais. Essa é uma boa oportunidade para chamar a atenção dos
alunos quanto aos créditos – autor, nome do jornal ou revista e data em que foi
publicada – e, o mais importante na leitura dessa forma de expressão, a síntese
e o comentário do fato que originou cada charge.
Apresentados os trabalhos, é o momento de
sugerir, em pequenos grupos, que os alunos escolham notícias e criem charges.
Eles podem dividir as tarefas. O importante é que todos leiam e comentem o
texto antes de passar a notícia para a ponta do lápis ou para a tela do
computador!
Vale lembrar que contar a vida através de
imagens é uma experiência vivida pelo homem desde sempre. Desenhando nas
paredes das cavernas, os primitivos procuravam demonstrar o que era importante
na vida deles. A Via Sacra dos católicos relata os últimos momentos da vida de
Cristo por meio de quadros. Os desenhos animados e os quadrinhos trazem boas
histórias, às vezes, sem palavra alguma. Basta um olhar mais atento para ler o
que a charge revela sobre o nosso tempo!
A seguir, um exemplo desse diálogo divertido
entre o texto escrito e o desenho de humor.
Quem perdeu a dentadura no metrô
Quem
perdeu a dentadura no metrô?
Há duas semanas um objeto
intriga os funcionários da Companhia Metropolitana de São Paulo, responsáveis
pela Seção de Achados e Perdidos, sem que ninguém vá reclamar a sua propriedade.
“Como alguém poderia esquecer dentro do metrô um carrinho de mão de pedreiro”?,questionam os funcionários,
sabendo que provavelmente a pergunta ficará sem resposta.
Coisas como essa são cada vez mais comuns no metrô de São Paulo, onde
objetos grandes e de valor acabam sendo doados a obras de ação social, pois os
donos raramente aparecem. São televisões, fogões, carrinhos de feira e até
muletas e cadeiras de rodas, que ficam guardados por três meses esperando seus
proprietários.
Viajam diariamente pelo metrô
paulistano uma média de 2,2 milhões de passageiros. Destas pessoas, pelo menos
100 esquecem alguma coisa, que é recolhida à Seção de Achados e Perdidos. Boa
parte do que chega ao setor, localizado na Estação da Sé – ponto de cruzamento
das duas linhas de metrô –, é de documentos, como carteiras
de identidade e de trabalho, mas há uma quantidade também significativa de
guarda-chuvas, chaveiros, óculos e relógios ou mesmo dinheiro.
Estão na Seção de Achados e
Perdidos, além do carrinho de mão, três latas grandes de picles em conserva, um
quadro com desenho de um urubu-rei, várias bolsas, casacos, guarda-chuvas, uma
bengala, livros, pastas, caixas de jogos e até uma dentadura.
Jornal
do Brasil, Rio de Janeiro, 16 de setembro de 1990.
Son Salvador
A seguir, um exemplo desse diálogo divertido entre o texto escrito e o
desenho de humor
Diz o Aurélio:
"Charge: representação pictórica, de caráter burlesco e caricatural, em
que se satiriza um fato específico, em geral de caráter político e que é do
conhecimento público". E ainda: "Caricatura: desenho que, pelo traço,
pela escolha dos detalhes, acentua ou revela certos aspectos caricatos de
pessoa ou fato".