Editoria Português

A notícia na ponta do lápis

 

Silvana Costa

Autora de livros de literatura e didáticos da Editora Dimensão

 

 

Você soube da última? Leu no jornal? Viu pela televisão? Ouviu pelo rádio?

 

Antes de pensar nas respostas, pense nas perguntas. Estas evidenciam a supremacia da informação na atualidade. O que não falta é assunto! Os acontecimentos do mundo globalizado chegam até os leitores numa velocidade estonteante. Daí a necessidade de ampliar as possibilidades de leitura, aventurando-se por diferentes linguagens e suportes.

 

Proponho, para esta atividade, um passeio pelos jornais e revistas, à procura de uma arte essencialmente jornalística: a charge. Podemos, de forma bastante simplificada, conceituar a charge como um desenho de humor que faz um comentário ou crítica sobre um fato atual. Vale lembrar que o traço caricatural é básico por conferir humor ao desenho. Então, ao trabalho!

 

Você pode planejar a atividade com a participação da turma, combinando prazos para a pesquisa e seleção de charges, em revistas e jornais. Essa é uma boa oportunidade para chamar a atenção dos alunos quanto aos créditos – autor, nome do jornal ou revista e data em que foi publicada – e, o mais importante na leitura dessa forma de expressão, a síntese e o comentário do fato que originou cada charge.

 

Apresentados os trabalhos, é o momento de sugerir, em pequenos grupos, que os alunos escolham notícias e criem charges. Eles podem dividir as tarefas. O importante é que todos leiam e comentem o texto antes de passar a notícia para a ponta do lápis ou para a tela do computador!

 

Vale lembrar que contar a vida através de imagens é uma experiência vivida pelo homem desde sempre. Desenhando nas paredes das cavernas, os primitivos procuravam demonstrar o que era importante na vida deles. A Via Sacra dos católicos relata os últimos momentos da vida de Cristo por meio de quadros. Os desenhos animados e os quadrinhos trazem boas histórias, às vezes, sem palavra alguma. Basta um olhar mais atento para ler o que a charge revela sobre o nosso tempo!

 

A seguir, um exemplo desse diálogo divertido entre o texto escrito e o desenho de humor.

 

Quem perdeu a dentadura no metrô

Quem perdeu a dentadura no metrô?

 

Há duas semanas um objeto intriga os funcionários da Com­pa­nhia Metropolitana de São Paulo, responsáveis pela Seção de Acha­dos e Perdidos, sem que ninguém vá reclamar a sua proprie­dade. “Como alguém poderia esquecer dentro do metrô um carri­nho de mão de pedreiro”?, questionam os funcionários, sabendo que prova­velmente a pergunta ficará sem resposta.

 

Coisas como essa são cada vez mais comuns no metrô de São Paulo, onde objetos grandes e de valor acabam sendo doados a obras de ação social, pois os donos raramente aparecem. São televisões, fogões, carrinhos de feira e até muletas e cadeiras de rodas, que ficam guardados por três meses esperando seus proprietários.

 

Viajam diariamente pelo metrô paulistano uma média de 2,2 milhões de passageiros. Destas pessoas, pelo menos 100 esquecem alguma coisa, que é recolhida à Seção de Achados e Perdidos. Boa parte do que chega ao setor, localizado na Estação da Sé – ponto de cruzamento das duas linhas de metrô –, é de documentos, como car­teiras de identidade e de trabalho, mas há uma quantidade também significativa de guarda-chuvas, chaveiros, óculos e relógios ou mesmo dinheiro.

 

Estão na Seção de Achados e Perdidos, além do carrinho de mão, três latas grandes de picles em conserva, um quadro com de­senho de um urubu-rei, várias bolsas, casacos, guarda-chuvas, uma bengala, livros, pastas, caixas de jogos e até uma dentadura.

 

Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 de setembro de 1990.

 


Son Salvador


A seguir, um exemplo desse diálogo divertido entre o texto escrito e o desenho de humor

 

Diz o Aurélio: "Charge: representação pictórica, de caráter burlesco e caricatural, em que se satiriza um fato específico, em geral de caráter político e que é do conhecimento público". E ainda: "Caricatura: desenho que, pelo traço, pela escolha dos detalhes, acentua ou revela certos aspectos caricatos de pessoa ou fato".

 

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