“A operação do tio Onofre
conta a história de uma menina que dá nome aos objetos. Um dia acontece um
assalto na casa dela. A menina liga para o pai e fala que está operando o ‘tio
Onofre’, que é, na verdade, um cofre. O resto da história você fica sabendo
quando ler o livro.” Quem diz isso é Isabela Vasconcelos, 8 anos, aluna da 2a
série da Escola Balão Vermelho, de Belo Horizonte, ao recomendar A operação do tio Onofre, de Tatiana Belinky (Editora Ática). Com
os colegas de escola, Isabela participa da Giroletras, a feira literária que
uma vez por ano é realizada com sucesso no Balão Vermelho.
No
evento, os alunos do Ensino Infantil e do Ensino Fundamental assumem os papéis
de críticos literários e de livreiros. As melhores obras lidas desde o início
do ano letivo, segundo a seleção dos próprios alunos, ficam expostas nos
estandes. “Vivemos intensamente esse movimento de circulação de livros, que é
uma proposta de livre escolha”, diz a diretora pedagógica, Iêda Maria Luz
Brito. Os alunos adoram: “É legal porque a gente pode ler os livros indicados
por amigos e ainda conhecer autores”, conta Isabela. Durante a Giroletras há atividade de narração de história,
bate-papo com vários autores, sarau de poesia e de crônicas.
Os
livros expostos são doados após a feira. Em 2006, por exemplo, eles foram
encaminhados a um assentamento do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra)
para comporem uma biblioteca. No ano seguinte, um grupo de trabalhadores
visitou a feira e falou da importância da biblioteca no assentamento.
A
diretora pedagógica conta que é desenvolvido um trabalho de incentivo à leitura
junto às crianças. O trabalho consiste em muitas visitas à bilioteca da escola
e na criação de espaços abertos para discussões e comentários espontâneos dos
alunos sobre o que leram. “Esperamos pacientemente e sem pressão pela formação
do vínculo entre os alunos e os livros”, explica Iêda.
Outros projetos
Além
da Giroletras, há outros projetos institucionais desenvolvidos na escola. Um
deles é a Eco-Balão, uma feira de ecologia que envolve professores, alunos,
pais e comunidade. Na feira, os alunos apresentam aos visitantes os resultados
de projetos sobre ecologia, alimentação saudável, consumo consciente e
preservação do patrimônio.
Outro
projeto institucional é o Jornal do Balão (JB), produzido pelos alunos de 4ª,
5ª e 6ª séries e distribuído aos pais e à comunidade. No início do ano é
realizada uma aula sobre a produção de jornal para estimular a participação dos
estudantes. Os que se interessam podem se candidatar para produzir o JB. Uma
prática que tem se revelado estimulante para os alunos é unir duplas de
diferentes idades e séries nas oficinas de produção jornalística.
Como
o JB cobre os acontecimentos do dia-a-dia na escola, a Giroletras não poderia
estar de fora. Os alunos entrevistaram os autores que participaram do último
evento, como Ângela Leite Souza, Ronaldo Simões Coelho, Leo Cunha, José Carlos
Aragão, Ricardo Azevedo, entre outros. Até a reportagem do Dimensão na Escola virou notícia.
Livre escolha
O
Balão Vermelho trabalha com a Pedagogia de Projetos. Segundo a diretora, os
projetos são definidos, construídos e avaliados em conjunto por professores e
alunos. “A essência de cada projeto está em uma problematização que parte dos
próprios alunos ou que é fruto de uma situação criada pelos professores para
que os alunos se envolvam com o assunto pesquisado.” O professor-tutor orienta
a pesquisa feita pelos estudantes.
A
cada ciclo as turmas realizam projetos em grupo e também de livre escolha. A
aluna da 6ª série Fernanda Vidigal desenvolveu um projeto de livre escolha
sobre a vida dos idosos. “Depois da pesquisa aprofundada, escrevi um artigo
para apresentar à turma e ao professor-tutor, para que meu trabalho fosse
avaliado”, explica.